Com apenas 25 anos, Caroline Gaspard lançou a Akillis como manifesto de liberdade. Hoje, a marca francesa mantém-se fiel ao seu ADN: ousadia, movimento e jóias sem género.
Caroline Gaspard não gosta de rótulos. Cresceu rodeada por pedras preciosas graças à paixão da mãe, mas nunca se contentou com a herança de códigos tradicionais. “Lembro-me de ficar fascinada com o brilho, o jogo infinito de cores e reflexos nas pedras preciosas. A paixão da minha mãe alimentou a minha própria imaginação. Muito cedo comecei a desenhar, não apenas jóias, mas formas e símbolos que me pareciam poderosos”, recorda. Essa atração juvenil transformou-se em Akillis, fundada em 2007, quando tinha apenas 25 anos.
O nome da marca evoca Aquiles, herói da mitologia grega, mas também a força competitiva da sua criadora. Desde o primeiro momento, Caroline quis que Akillis fosse um território de liberdade criativa, sem concessões e sem género. “Nunca acreditei que a joalharia devesse ser restrita por género. Quis que a Akillis encarnasse a liberdade de identidade, onde homens e mulheres podem usar a mesma peça e torná-la sua.”
O manifesto Bang Bang
A primeira coleção não deixou margem para dúvidas quanto ao espírito da fundadora. Bang Bang, feita de balas transformadas em objetos preciosos, foi um gesto radical que virou códigos ao contrário. “Aos 25 anos sentia-me destemida, determinada a criar algo verdadeiramente meu. Bang Bang foi mais do que uma coleção, foi um totem, o símbolo da força de que precisava para lançar a Akillis e me manter fiel à minha visão sem compromissos”, explica.
Essa irreverência depressa conquistou um público em busca de jóias que fossem símbolos de independência, audácia e desejo. “Ousadia é essencial. Quero provocar emoções, surpreender o público e desafiá-lo a repensar o que a alta joalharia pode ser. É aí que nasce o desejo — no inesperado.”
A linguagem da liberdade
Ao longo dos anos, a Akillis consolidou um estilo feito de linhas gráficas, tensão e intensidade. “Adrenalina, liberdade, competição — são energias brutas, que traduzo em linhas aerodinâmicas, silhuetas dinâmicas e contrastes ousados de materiais. Gosto de jóias que pareçam movimento congelado no tempo”, afirma.
Essa estética deve muito à paixão pessoal de Caroline por desporto, velocidade e risco. “O desporto e a velocidade são sobre ultrapassar limites, correr riscos, sentir a adrenalina. Trago esse mesmo espírito para a joalharia, ao desenhar peças que carregam intensidade — seja através de motivos gráficos, como triângulos afiados, ou formas aerodinâmicas que evocam movimento, poder e performance.”
Os materiais são parte essencial dessa linguagem. O ouro de 18 quilates convive com o titânio, um metal difícil de trabalhar, mas que Caroline transformou em marca de identidade. “O ouro tem uma nobreza intemporal, enquanto o titânio traz leveza, resistência e uma modernidade radical. É extremamente difícil de dominar — resiste às técnicas tradicionais de joalharia — mas esse desafio entusiasma-me. Superar estas barreiras empurra a inovação, e a inovação está no coração da Akillis.”
Nas oficinas francesas onde cada peça é produzida, técnicas inspiradas na relojoaria e até na engenharia aeronáutica permitem cortes e acabamentos de precisão, abrindo novas possibilidades criativas. “A tecnologia é uma ferramenta de libertação. A precisão da engenharia abre horizontes criativos e redefine o aspeto da joalharia contemporânea. Trata-se de fundir arte com mestria técnica.”
O futuro disruptivo
Hoje, a Akillis é presença estabelecida na joalharia internacional, mas Caroline insiste que o maior trunfo da marca continua a ser a liberdade. “Ao contrário das casas históricas, presas por séculos de tradição, a Akillis está liberta do passado. Podemos experimentar, inovar e expressar algo cru e moderno, sem perder o rigor do savoir-faire. Esse contraste é o que nos distingue.”
Para a criadora, o futuro da joalharia está no mesmo caminho: identidade, ousadia e individualidade. “Acredito que a joalharia continuará a evoluir no sentido da individualidade e da disrupção. A nova geração quer peças que reflitam a sua personalidade e estilo de vida, não apenas a tradição. A criatividade prospera onde as regras são quebradas e os limites ultrapassados.”
A própria vida de Caroline — mulher, empresária, mãe — é um espelho dessa energia plural. “Equilibrar todos estes papéis é intenso, mas alimentam-se uns aos outros. Ser mãe dá-me chão, ser empresária aguça-me, ser criadora liberta-me. Esta multiplicidade de experiências molda a Akillis: é uma marca que abraça a complexidade e ousa viver plenamente.”
Aos 25 anos, Caroline Gaspard abriu caminho com um gesto de ruptura. Quase duas décadas depois, mantém-se fiel ao mesmo impulso: criar jóias que não deixam ninguém indiferente. “O meu sonho é continuar a surpreender, a inovar com materiais e formas, e a expandir o alcance da Akillis no mundo sem nunca trair o seu ADN. O maior desafio é sempre a próxima criação — é isso que me faz avançar.”
























