Com a crise da habitação a marcar Lisboa, o Freedom surge como exemplo de reabilitação inovadora: uma antiga garagem dos anos 40 transformada em espaço residencial para jovens urbanos.
Num momento em que a crise da habitação exige criatividade e soluções fora da caixa, os promotores imobiliários procuram reinventar a forma de criar oferta. A reabilitação de edifícios desativados tem ganho força como alternativa para devolver espaço habitável à cidade, preservando a memória arquitetónica e introduzindo tipologias mais ajustadas às necessidades atuais.
O mercado habitacional lisboeta vive sob forte pressão: o crescimento do turismo, a atratividade internacional da cidade e a escassez de solo disponível têm encarecido o acesso à habitação. Para jovens e famílias em início de percurso, encontrar uma casa adaptada ao seu estilo de vida é um desafio cada vez maior. A procura por soluções alternativas, que conciliem preço, conforto e qualidade de vida, tem levado os promotores a explorar terrenos improváveis e a dar nova função a edifícios industriais, armazéns ou garagens.
Freedom, um exemplo concreto
É neste contexto que nasce o Freedom, projeto da MELLO RDC que transforma uma garagem dos anos 40 num edifício residencial pensado para uma geração urbana. Situado em Arroios, entre um arco centenário e o renovado mercado, o edifício recupera a sua estrutura industrial e devolve-lhe leveza através de pátios interiores, jardins e um rooftop preparado para trabalho, exercício físico e lazer.
António Ribeiro da Cunha, CEO da MELLO RDC, conta como se desencadeou o processo: “devo confessar que foi dos projetos que nos deu mais gosto em levar a cabo, mas também o que trouxe mais desafios e dificuldades. A garagem ocupava o lote todo sem existir logradouro. Necessitávamos de luz natural, mas tínhamos condicionantes em rasgar janelas para os edifícios vizinhos. Encontrámos a solução com o vazamento do núcleo interior para criar luminosidade e transformámos o telhado do edifício, que era plano, num rooftop multi-funções com muita vegetação, e zonas de exercício, lazer e trabalho”.
A aposta foi clara: criar um produto destinado a jovens e jovens famílias, urbanos e exigentes, que procuram no mercado residencial algo que os projetos tradicionais não oferecem. “Foi tudo pensado para eles, desde a escolha dos materiais até ao nome, passando por criar uma pet station, zona para lavagem de pranchas de surf e parque de bicicletas. Foi um desafio que adorámos e creio que conseguimos os nossos propósitos, desenhando um projeto que vai ser bom de habitar e de viver”, acrescenta o responsável.
Com investimento de 10 milhões de euros, o Freedom integra 23 apartamentos — do T0 ao T2 —, todos com estacionamento privado e carregadores elétricos, preços a partir de 375 mil euros e conclusão prevista para 2027.
Um caminho a replicar
Projetos como o Freedom demonstram que a reabilitação inteligente pode dar respostas concretas à crise habitacional. Ao transformar espaços obsoletos em lugares de vida, Lisboa não apenas preserva a sua identidade urbana como abre novas possibilidades de habitar para uma geração que procura ficar na cidade. Quanto mais iniciativas deste género se multiplicarem, maior será a capacidade de equilibrar oferta e procura e de devolver às ruas históricas a função que nunca deveriam perder: a de serem vividas.

















