A Cabral Moncada Leilões apresenta, a 10 de novembro, o Leilão 236 de Arte Moderna e Contemporânea, com 217 obras e destaque para a coleção pessoal de João Esteves de Oliveira.
Há colecionadores que transformam o ato de reunir obras numa forma de pensar o tempo. João Esteves de Oliveira foi um deles. A sua paixão pela arte moderna e contemporânea portuguesa fez dele uma das figuras mais influentes na construção do mercado nacional — um elo entre artistas e instituições, entre o colecionismo privado e o debate público sobre a criação. É esse legado que a Cabral Moncada Leilões celebra no seu Leilão 236, a realizar-se no próximo dia 10 de novembro, às 18h00, em Lisboa.
A sessão reúne 217 obras de interesse nacional e internacional, divididas em dois núcleos: o primeiro, com 86 lotes pertencentes à coleção de João Esteves de Oliveira; o segundo, composto por outras proveniências, que complementam o panorama da arte portuguesa das últimas sete décadas. O resultado é um retrato plural, onde convivem mestres consagrados e artistas cuja relevância cresce a cada ano.
O galerista que acreditava no risco
Nascido no Porto, em 1946, João Esteves de Oliveira estudou Economia e iniciou a sua carreira na banca internacional. Mas o rigor dos números cedo deu lugar à inquietação das ideias. Em 2002, abriu a galeria que levaria o seu nome e que se tornaria um espaço de referência em Lisboa — um lugar de encontros e descobertas, onde nomes como Julião Sarmento, Helena Almeida, João Queiroz ou Pedro Calapez encontraram um interlocutor atento e exigente.
Colecionador, curador e mecenas, Esteves de Oliveira acreditava que o mercado de arte podia ser um território de pensamento. A sua galeria era também uma espécie de laboratório intelectual, aberta a conversas entre artistas, críticos, escritores e economistas. O seu olhar sobre a arte — simultaneamente racional e poético — fez dele um mediador raro. Como recorda Isabel Andrade Dias, que o acompanhou durante quase duas décadas e apresenta agora um texto e vídeo evocativos no site da leiloeira, “João tinha o dom de olhar para uma obra e ver nela o que ainda não estava visível”.
Obras que contam histórias
A primeira parte do leilão — a Coleção João Esteves de Oliveira — é, por si só, um percurso pelas afinidades estéticas e afetivas de uma vida. Cada obra reflete a curiosidade de um colecionador que não comprava por tendência, mas por convicção. A seleção inclui pintura, escultura, desenho e fotografia, em diálogo permanente entre o gesto e o pensamento.
O segundo núcleo, sob a designação Outras proveniências, reúne nomes essenciais da arte portuguesa e internacional. Entre os destaques está “Le cachot”, de Júlio Pomar, que ilustra a capa do catálogo, e “Lavada em lágrimas #13”, de Helena Almeida, que ocupa a contracapa. Duas obras que, em conjunto, sintetizam a força e a sensibilidade da criação moderna portuguesa — Pomar pela inquietação política e existencial; Helena Almeida pela introspeção corporal e poética que marcou a arte conceptual europeia.
Um espelho da criação portuguesa
Ao percorrer o catálogo — disponível online e em versão impressa — percebe-se que este não é apenas um leilão, mas um documento histórico. Reúne artistas de diferentes gerações e linguagens, de Jorge Martins a José Pedro Croft, de Graça Morais a Ângela Ferreira. Juntos, compõem uma narrativa visual da arte portuguesa contemporânea, onde o experimentalismo e a emoção convivem com o rigor técnico e a consciência do tempo.
Além do valor simbólico, o evento reafirma o papel de Lisboa como polo central do mercado de arte no sul da Europa. A Cabral Moncada Leilões, com quase 30 anos de atividade, tem sido uma das plataformas mais consistentes na valorização do património artístico português, conjugando profissionalismo, investigação e uma programação regular de leilões temáticos.
Data: 10 de Novembro de 2025, 18h00
Exposição: 3–9 de novembro, 14h00–19h00
Morada: Cabral Moncada Leilões, Rua Miguel Lupi 12D, Lisboa












