Lisboa recebe por estes dias o Experience Macau Roadshow, iniciativa do Governo de Macau, que apresenta a hospitalidade e a gastronomia do território. Entre os participantes está a SJM Resorts, responsável pelo Mesa by José Avillez.
Gastronomia como embaixadora
Lisboa volta a ser porta de entrada para Macau. Até domingo, 21 de setembro, a Praça do Comércio transforma-se no epicentro do Experience Macau Roadshow — também conhecido como “Sentir Macau Roadshow em Lisboa” —, organizado pelo Gabinete de Turismo do Governo de Macau e integrado nas Festas na Rua da Câmara Municipal de Lisboa. O objetivo é claro: mostrar que o território asiático é hoje muito mais do que casinos e néon — é um destino de excelência para alojamento, gastronomia, cultura e lazer.
A iniciativa inclui cinco dias de cultura, música e gastronomia, com direito a espetáculo de drones e fogo-de-artifício na noite de abertura, a 17 de setembro, e performances noturnas diárias que recriam símbolos de Macau no céu lisboeta. O recinto conta ainda com três áreas temáticas dedicadas a espetáculos, exposições multimédia e grandes eventos.
Entre os participantes destaca-se a SJM Resorts, detida pela STDM (Sociedade de Turismo e Diversões de Macau, empresa de Macau fundada pelo magnata Stanley Ho), responsável por alguns dos ícones da hospitalidade em Macau. O Grand Lisboa Palace Resort Macau, que integra o primeiro Palazzo Versace da Ásia e o THE KARL LAGERFELD MACAU, e o histórico Grand Lisboa Hotel foram trazidos a Lisboa como embaixadores de um destino que alia luxo, design e tradição. A operadora apresenta ainda cinco pacotes de alojamento exclusivos, que vão de escapadelas culturais e artísticas a retiros de luxo e experiências para famílias.
Arte, espetáculo e hospitalidade
A programação cultural da SJM em Macau também marca presença no roadshow lisboeta. A exposição “Picasso: Beauty and Drama”, a mostra inaugural “The Lisboa, Stories of Macau”, performances como o espetáculo “Macau Brilhante” e experiências imersivas como a Martial Art Arena ou o AI Wonderland completam a visão de um destino que combina herança e futuro.
Paralelamente, a agência Abreu lançou em Lisboa novos pacotes turísticos para Macau e circuitos multidestinos que incluem o Interior da China, Japão, Coreia do Sul e Hong Kong, disponíveis até fevereiro de 2026. Durante o evento, representantes de Macau também se reuniram com a APAVT e a EGEAC, num esforço para reforçar a cooperação institucional e o intercâmbio com Portugal.
Com este regresso a Lisboa, o Governo de Macau reforça a ambição de consolidar o território como “Centro Mundial de Turismo e Lazer”, ao mesmo tempo que sublinha laços de meio milénio entre as duas margens. A presença da SJM Resorts ilustra essa estratégia, lembrando ainda o papel histórico da operadora, responsável por marcos como o Hotel Lisboa (1960) e o Grand Lisboa (2007). Num momento em que a empresa enfrenta desafios financeiros — com prejuízos registados na primeira metade de 2025 —, o roadshow em Lisboa funciona também como sinal da aposta em diversificar o turismo para além do jogo.
Ao falar de Macau, os olhos de José Avillez acendem-se. Para o chef português, cozinhar no território é muito mais do que gerir um restaurante: é inscrever-se numa história que começou nos descobrimentos. “A cozinha é sempre um reflexo da cultura e, em Macau, foi desde cedo um lugar de encontros. A cozinha macaense tem influências portuguesas, mas também indianas, africanas e chinesas. Mostrar hoje a gastronomia portuguesa contemporânea em Macau é quase recriar esse movimento de fusão que começou há séculos.”
Questionado sobre as diferenças entre públicos, não hesita. “Os clientes do continente chinês procuram sobretudo o impacto imediato do sabor, sem darem grande importância ao storytelling. Já em Lisboa, contar a história de um prato faz parte da experiência. Em Macau temos também muitos visitantes de Hong Kong, Taiwan ou Japão que viajam de propósito para conhecer a nossa cozinha — e isso torna cada serviço num encontro único.”
Os desafios são diários. “O peixe e o marisco locais não têm a mesma textura ou sabor dos nossos. Importamos muitos produtos de Portugal para manter autenticidade, mas também vamos adaptando. Usamos coentros e alho, que são muito nossos, mas reduzimos o sal e o açúcar porque o paladar chinês pede isso. No fundo, é um equilíbrio constante entre ser fiel à identidade portuguesa e criar uma nova cozinha que só poderia nascer em Macau.”
A experiência do Mesa by José Avillez, instalado no THE KARL LAGERFELD MACAU, também tem uma dimensão simbólica. “É desafiante estar do outro lado do mundo, num território que já foi português, a apresentar uma cozinha que lhes é ao mesmo tempo familiar e desconhecida. Sinto que estamos a escrever um novo capítulo desta ponte entre Oriente e Ocidente.”
Sobre o futuro, Avillez é prudente. “Não quero abrir restaurantes em todas as geografias. Macau faz sentido pela ligação histórica e cultural. E acredito que pode ser uma plataforma privilegiada para dar a conhecer a cozinha portuguesa a novos públicos.”
E há momentos que ficam na memória. “Depois de um jantar no Mesa, acabei numa pequena tasca com o meu head-chef, o Herlander Fernandes, onde um senhor macaense nos ouviu falar português. Ficámos até às três da manhã à conversa e, dois dias depois, ele visitou o Mesa. Foi um encontro improvável, mas que resume bem o que Macau representa: uma ponte viva entre Portugal e o Oriente.”
Experience Macau Roadshow
Praça do Comércio, Lisboa
17 a 21 de setembro de 2025
Espetáculos, gastronomia, cultura e pacotes exclusivos


















