Viajar pode ser um passaporte para o extraordinário, mas o que realmente fica são os momentos que não cabem nos roteiros: encontros inesperados, refeições partilhadas sem língua comum e gestos que transformam o desconhecido numa memória eterna. É nesse território íntimo que nasce o Soulful Luxury.
Se para muitos viajar significa riscar destinos da bucket list, para outros é descobrir trilhos escondidos, conhecer artesãos à beira da estrada em casas caiadas sem letreiro e saborear petiscos feitos com receitas de família e ingredientes sazonais. O mundo é vasto e fascinante, mas o que realmente marca não são as filas para ver o monumento mais fotografado; são as memórias criadas com quem nos acompanha, os pequenos gestos cheios de significado e as conversas que resistem ao tempo. É daqui que nasce o conceito de Soulful Luxury.
Falar deste tema leva-me inevitavelmente às minhas próprias vivências, depois de uma década a trabalhar fora de Portugal e a celebrar culturas tão distintas. Uma das memórias mais bonitas surgiu no Vietname, durante uma prospeção de experiências para o resort onde trabalhava. Depois de a mota ficar atolada na lama, o guia sugeriu almoçarmos numa casa privada. Aceitei, entre a surpresa e a curiosidade. Sentámo-nos em bancos de plástico, numa sala simples, e partilhámos uma refeição caseira preparada pela matriarca. Não trocámos palavras – pois eles não sabiam falar inglês, nem eu tão-pouco entendia vietnamita -, apenas sorrisos.
Foi um dos momentos mais autênticos dos meus 18 meses no país e fez-me perceber como o imprevisível pode ser profundamente significativo. A experiência acabou por se tornar exclusiva do resort, levando muitos hóspedes à casa da família Dieu para viverem o mesmo que eu.
No Sri Lanka, numa viagem solitária até Kandy, fui convidada por um grupo de mulheres a colher folhas de chá e aprender o processo de secagem. Já no Norte da Tailândia, a chuva obrigou-me a ficar mais um dia em Chiang Mai. Esse acaso levou-me até uma família de elefantes num santuário de reabilitação. O tratador convidou-me a entrar no rio com eles. Nadar ao lado daqueles gigantes gentis permanece como uma das experiências mais marcantes da minha vida.
Nas Maldivas, participei numa pesca tradicional num Dhoni, apenas com fio, uma garrafa de plástico e tripas de peixe como isco. Acabámos numa praia local a cozinhar uma sopa picante sobre a fogueira – simples, imperfeita, extremamente picante e deliciosa pela experiência em si.
No Nepal, numa visita a Pokhara, descobri um centro de tecelagem onde mulheres trabalhavam mantas e xailes em teares de madeira. Comprei um xaile para oferecer à minha mãe, que dez anos depois continua tão vibrante como no primeiro dia.
Para mim, Soulful Luxury é exatamente isto: momentos únicos vividos com pessoas que cruzam o nosso caminho, guiados pela curiosidade, pelo respeito e pela vontade de celebrar o que é genuíno. Não são acontecimentos de destinos badalados, mas sim histórias que nascem da autenticidade.
É este espírito que procuramos trazer para o Kimpton Atlântico Algarve. Trabalhamos com pessoas locais que representam o melhor do Sul de Portugal. A senhora Júlia, de 70 anos, ensina a arte dos entrançados de palma, transformando folhas em cestos e candeeiros. A Márcia, artista plástica, conduz workshops de aguarela inspirados nos jardins do hotel. O Sr. Júlio leva os visitantes em Jeeps antigos pela Serra de Monchique, com paragem numa quinta amiga onde se prova mel de alfarroba, vinho fresco e petiscos regionais.
Na cozinha, a equipa celebra os sabores algarvios, desde os snacks do pequeno-almoço aos pratos do Sombra, onde o mar e a terra se revelam a cada garfada. E nas minhas pausas, rendo-me sempre às tapas de carabineiro e à torta de laranja do Zénite rooftop bar, com o Atlântico como pano de fundo.
O convívio diário com os hóspedes no Terra reforça este sentido de casa: enquanto partilhamos um copo de vinho português, trocamos recomendações dos nossos restaurantes favoritos, do arroz de polvo ao peixe na grelha ou à cataplana que reúne famílias inteiras.
Em Loulé, uma pequena loja produz andorinhas de barro moldadas e pintadas à mão. Escolhemo-las como símbolo do hotel porque são pássaros que regressam sempre a casa depois de longas viagens. Representam autenticidade, pertença e retorno, exatamente o que queremos oferecer no Kimpton Atlântico Algarve: um lugar onde se descansa, se saboreia, se convive e se constroem novas memórias com alma.
Catarina Simões, Diretora do Kimpton Atlântico Algarve











